E ainda sobre este assunto, o público online divulgou esta notícia hoje:
“Emissões e consumo energético
Construção: falhas de mercado e comportamentos impedem “consumo zero de energia”
29.11.2007 – 15h47 Lusa
Apesar de já existir tecnologia para reduzir drasticamente o consumo energético dos edifícios e as emissões de dióxido de carbono, as falhas de mercado e barreiras comportamentais impedem ainda o “consumo zero de energia”, conclui um estudo hoje divulgado.
Esta é uma conclusão do primeiro ano do projecto “Eficiência Energética em Edifícios (EEE)” do World Business Council for Sustainable Development, co-produzido pela Lafarge e a United Technologies, projecto que abrange seis países ou regiões – como o Brasil, Europa, Índia, Japão e Estados Unidos – que, em conjunto, são responsáveis por dois terços da procura de energia a nível mundial.
O projecto EEE foi efectuado por dez empresas, reflectindo mais de cem mil milhões de metros quadrados de espaço.
Apenas 13 por cento dos inquiridos já este envolvido na construção sustentável, apesar deste cenário variar entre os 45 por cento na Alemanha e os cinco por cento na Índia; entre os 20 por cento entre os promotores e nove por cento entre proprietários e inquilinos.
A “alavanca para a mudança”, sublinha o relatório, implica o apoio à interdependência, a valorização da energia, desenvolvendo incentivos, novos relacionamentos comerciais, mecanismos financeiros e informação mais clara acerca do desempenho energético dos edifícios, e a transformação de comportamentos, educando e motivando os profissionais envolvidos no sector para alterar o seu rumo para uma eficiência energética nos edifícios.
Profissionais do sector têm baixos níveis de conhecimento sobre eficiência energética
Por outro lado, o estudo encontrou nos profissionais do sector “grandes níveis de consciência” relativamente à construção sustentável, mas “baixos níveis de conhecimento” específico e envolvimento, sendo a falta de informação, de liderança, de conhecimento e de experiência as principais barreiras à sua implementação.
Os profissionais da construção tendem a subestimar a contribuição da energia dos edifícios para as alterações climáticas e a sobrestimar os custos para a poupança de energia, normalmente abaixo dos 5 por cento nos países desenvolvidos, apesar de ser possivelmente mais alto na China, Brasil e Índia, explica o documento.
O relatório indica que os três “elementos-chave” para atingir a energia zero são a utilização de menos energia, utilizando por exemplo equipamentos mais eficientes, a produção local de energia, a partir de fontes renováveis, e a partilha da energia excedente, através de redes inteligentes.
Relatório fala das oportunidades para as empresas
Além disso, o documento salienta que apesar da existência de riscos operacionais e de mercado, “também existem oportunidades para as empresas”.
“Vai existir uma procura muito grande de eficiência energética, mas o ‘timing’ e a proposta de valor são incertos. As empresas que entram no mercado de eficiência em edifícios poderão ganhar vantagens por serem os primeiros”, alerta.
Nesta primeira fase, em 2007, o estudo teve como objectivo, a compreensão das barreiras existentes e a análise de cenários e caminhos para edifícios de consumo de energia zero. Na segunda fase, ainda este ano, o estudo vai avaliar as alterações necessárias na política, tecnologia, financiamento e comportamentos que têm impacte nos resultados dos modelos de negócio.
Na terceira fase, já em 2008, será efectuado um plano de acção preliminar que salienta as acções críticas a tomar em cada sector da construção da cadeia de valor e, por fim, na última fase, em 2009, o estudo visa a concretização do plano de acção pelas diversas partes interessadas no sector da construção – empresas, proprietários, reguladores, fornecedores de energia e abastecedores de produtos e serviços.
O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) é uma coligação de 180 empresas internacionais, com o compromisso partilhado para com o desenvolvimento sustentável através de três pilares: crescimento económico, equilíbrio ecológico e progresso social.”