Há dias assim…

…em que algo novo aqui nasce!

Vale a pena pensar nisto… Março 9, 2008

Arquivado em: Escola, Politiquices, Reflexão, professores — Hugo @ 1:16 am
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(enquanto o futuro do “Há dias assim…” não chega, decidi quebrar o “silêncio”)

Vale a pena pensar no que aconteceu em Lisboa… e pensar sem politiquices, com profissionalismo e a favor de uma verdadeira avaliação (seguramente diferente da proposta actualmente).
Vale mesmo a pena reflectir sobre o que se está a passar na educação e querer entender porque é que 85 ou 100 mil professores vieram à rua…

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Problema matemático Janeiro 4, 2008

Arquivado em: Escola, professores — Hugo @ 11:27 pm
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Cinco pessoas fazem parte de um mesmo departamento curricular, trabalham muito bem em grupo, de tal forma que é difícil distinguir quem trabalha mais ou melhor.

O departamento só funciona assim por causa do empenho e dedicação dessas cinco pessoas.
Quero estar convicto que existem casos assim.

Mas como há cotas para atribuição de Muito Bom e Excelente (ou pelos menos havia), que nota o senhor director vai dar?

Alguém, que não me lembro quem (e que me perdoe por isso) veio falar nisto aplicado aos funcionários da administração pública, creio que ligada aos impostos. Mas é de lembrar que também se aplica à educação e aos professores.

 

E porque será?! Novembro 29, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 6:40 pm

“Segundo o relatório anual “Educação para todos” da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), um em cada dez alunos portugueses (10,2%) a frequentar a antiga primária e o 2.º ciclo chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.

Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4%, respectivamente, enquanto em países como Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento.”

in Expresso, edição online

E porque será que isto acontece? Bem, uma coisa é certa, por falta de um certo facilitismo imposto não deve ser…
Já estou a imaginar estes números a “caírem” em cima dos professores, sem que ninguém pense na organização social do nosso querido Portugal, em especial nas carências sociais e organizacionais de muitas famílias.

 

Nova entrevista da senhora Ministra Novembro 2, 2007

Arquivado em: Escola, TV, pais, professores — Hugo @ 12:25 am
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Em resposta à pergunta do Paulo Guinote: “Terei perdido alguma coisa de relevante?”

Não, a entrevista nem média foi… Muito em torno do estatuto do aluno, faltou falar do papel das famílias de uma forma mais meticulosa e realmente importante…
Mais uma vez foi referido que quem representa os professores são os Conselhos Executivos (CE), os sindicatos não. Bem, e eu pergunto, será que os executivos têm essa capacidade de representação e negociação perante as propostas do ME? Será que muitos ficarão calados? Ou será que nem sequer podem falar? E os que falam, será que são ouvidos? Ou melhor, será que alguém os quer ouvir?

Receio que a ligação entre ME e os CE das escolas não seja assim tão maravilhosamente aproveitada como pareceu transparecer da entrevista.

E a responsabilidade das famílias? Como será? Quantas vezes, mesmo nos alunos mais novos, se assiste a uma total desresponsabilização que começa pela atitude dos pais, que se necessário for vão à escola pedir “satisfações” ao professor sem que este tenha algum apoio por parte dos CE, esses órgãos de gestão que deveriam também proteger e ajudar a criar condições aos professores para o desempenho de um trabalho mais profícuo? Não defendo que haja uma protecção dos irresponsáveis (que os há em todas as profissões). Defendo uma solidariedade que pouco existe dentro da classe e que com as novas formas de avaliação, tenderá a diminuir drasticamente sempre que os resultados da avaliação não sejam satisfatórios.

A minha utopia
As famílias ao lado dos profissionais da educação, os executivos ao lado dos seus professores, o ministério a falar muito mais com as escolas e com quem está no terreno, num diálogo aberto, verdadeiro e construtivo.

 

Professor de apoio educativo no 1.º ciclo Outubro 19, 2007

Segundo a nova legislação (quase a sair) sobre educação especial, acaba-se a figura do professor de apoio educativo, o que conduzirá à extinção de lugares e funções como as que ocupo actualmente.

Sem apoio educativo no 1.º ciclo, o que irá acontecer?
Bem, para o cidadão comum é menos um professor a ganhar dinheiro à custa dos impostos. Para uma grande parte dos professores titulares de turma (professores do 1.º ciclo) será o “caos” na sala de aula e o “passar” alunos sem competências mínimas (porque retê-los também poderá representar um prejuízo na progressão na carreira).

Imaginem (se conseguírem) a seguinte situação:
- um(a) único(a) professor(a) responsável;
- uma sala com 20 ou mais alunos;
- alunos com ritmos de aprendizagem distintos e matriculados em vários anos, alguns com necessidades educativas especiais;
- turmas constituídas por alunos cujas capacidades são tão distintas que uns lêem fluentemente e outros mal conseguem juntar uma consoante com uma vogal;
- alunos bastante dependentes do adulto para efectuar qualquer tarefa;
- alunos com atitudes que por vezes influenciam o bom ambiente de trabalho na sala de aula;
- pais exigentes com as aprendizagens dos seus filhos (naturalmente), mas que colocam constantemente o trabalho do professor(a) em causa, não entendendo que este(a) está só…

A atitude do professor
O professor preocupado e profissional fará de tudo para conseguir que os seus alunos aprendam nestas circunstâncias, tendo duas alternativas: ou dá em maluco(a) pela tal depressão em que entrará, ou “passa” todos os alunos e cria uma auto-imunidade à situação criada…

E onde entra o professor de apoio educativo?
Ajuda o professor(a) titular de turma na gestão das situações de aprendizagem, da dinâmica da aula, etc… Mesmo estando presente durante algum tempo (10horas semanais já seria bastante aceitável) um professor de apoio educativo possibilitaria outro nível de actividades, outro nível de aprendizagens e ajuda aos alunos com ritmos mais específicos.

O que irá acontecer se a nova legislação concordar com isto?
Estes professores tendem a deixar de existir nas nossas escolas…

Agora pensem um pouco nas consequências sobre a educação…é que não é o desgraçado do professor ou professora que poderá ser mais prejudicado, é o país… Mas há gente que não entende isto.

 

É melhor não ter filhos se quero progredir na carreira… Outubro 19, 2007

Arquivado em: Escola, professores — Hugo @ 6:43 pm
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A julgar pelo texto original, publicado pelo Paulo Guinote, os professores terão uma clara desvantagem em relação aos demais, se decidirem deixar descendência neste mundo…

Aqui fica um extracto:
“Uma professora que fique grávida, por exemplo, duas vezes num espaço de tempo que apanhe quatro anos lectivos e desfrute da natural licença de maternidade para cada uma das situações, verá a sua avaliação suspensa, o que para todos efeitos corresponde a um congelamento.

Um professor que seja pai e pretenda gozar os dias de licença correspondentes, caso não queira ver a sua avaliação prejudicada pelas faltas correspondentes, terá de repor todas as aulas que não der, mesmo que deixe todas as actividades planificadas com planos para as respectivas substituições.”

A aprovarem-se estas leis que protegem estas ideias, fica mais uma vez demonstrado (sem ser necessária grande reflexão) o quão estúpido é o ser humano…ou melhor, o quão inteligentes são os legisladores cegos pela redução da despesa pública, de tal forma que põem em causa aquilo que devia ser protegido em qualquer sociedade.

Desculpem o desabafo, mas esta gente é mesmo inteligentemente estúpida…

 

Blog Action Day – Ambiente Outubro 15, 2007

Arquivado em: Ambiente, Escola — Hugo @ 7:23 pm
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Quem me conhece sabe que não podia deixar passar o dia de hoje sem escrever sobre ambiente.
O “Há dias assim” entrou na comunidade Blog Action Day que visa unir a rede “para falar sobre um único assunto importante em todo o mundo. Em 2007 o assunto escolhido é o meio ambiente”.

Escolho mais uma vez escrever sobre separar na Escola os resíduos produzidos. Não poderia ser mais fácil, sobretudo quando estamos perante turmas de alunos mais novos, que aceitam facilmente novas ideias. E depois, muitos levam os ensinamentos para casa, resultando em chamadas de atenção aos adultos que não “ligam” ao assunto.
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Porém, também há professores que não querem saber de separação do lixo (infelizmente conheço uns quantos)… E para estes casos aconselho algum diplomacia, sobretudo usando os seus próprios alunos…
Confesso a dificuldade de convencer algumas pessoas sobre o porquê de reciclar. Aconselho vivamente a visita a um centro de recolha e tratamento de resíduos, fiquem certos(as) que faz mudar ou consolidar as ideias de muitas pessoas.

Separar é fácil e ajuda a poupar bastantes recursos naturais, mas quem não sabe isto?!

 

Porquê? Outubro 14, 2007

Arquivado em: Escola, professores — Hugo @ 10:59 am
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Porque é que as politicas educativas são tantas vezes feitas por aqueles que estão fora da escola “real” aquela que todos os dias dá alegrias e dores de cabeça aos professores?

Porque é que os formadores de professores, são muitas vezes profissionais que nunca experimentaram a docência ao nível da faixa etária que os seus formandos irão “enfrentar”?

Será que não há gente na escola básica (falo da realidade que conheço) que tenha capacidade de ir mais além, de formar os seus pares depois de receber formação, de pensar a escola com exigência, principalmente por viver os seus problemas por dentro? Será que “alguém” tem medo que isto aconteça?

 

Digno de novo apontamento do humor… Outubro 11, 2007

Arquivado em: Escola, professores — Hugo @ 4:46 pm
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Depois de ler o post original aqui, resolvi publicá-lo para chegar ainda a mais pessoas…

“Perante a dificuldade em manter uma EB1/JI em funcionamento apenas com uma ou duas das seis funcionárias do quadro, por incidências várias, um órgão de gestão do agrupamento esgota-se em contactos e diligências. Desloca funcionárias, tarefeiras, mas os encarregados de educação queixam-se, com justiça, da falta de limpeza e segurança do espaço.

Quando se chega a sua excelência burocrática, senhor Director Regional (Adjunto), depara-se com um muro de irracionalidade pseudo-gestionária.

Que o órgão de gestão deve «desenvolver estratégias para fazer regressar as funcionárias que estão de atestado».

Mas, mas, mas… balbucia-se do outro lado do telefone. Como fazer omoletas sem ovos, sua excelência, senhor doutor director regional (adjunto)? Como? Iluminai-nos, Senhor, com vossa presciência esclarecida?

«Olhe, siga o exemplo do frade que conseguiu fazer uma sopa a partir de uma simples pedra!»

(e é aqui que o telefone não se desliga imediatamente porque ainda há quem tenha educação e regras básicas de civilidade)”

Não é necessário acrescentar mais nada, pois não?!

 

E assim foi mais um debate Setembro 18, 2007

Arquivado em: Escola, TV, professores — Hugo @ 5:01 pm

Confesso a tristeza, falta de paciência, raiva, angústia, incerteza… (entre outros sentimentos) que senti depois do debate de ontem na RTP1 sobre a educação. Acho impressionante como se continua a discutir (no verdadeiro sentido da palavra) e a gastar tempo com “parvoíces” quando não é só o futuro dos professores que está em causa, mas sim o futuro deste Portugal.
Especialmente na segunda parte, pareceu que o que estava em causa era só a profissão de professor como o grande problema do sistema de ensino.

Mas fiquei chocado deste início com os números e outras afirmações sobre o 1.º Ciclo e a forma como foram mostrados, revelando um perfeito desconhecimento sobre o que é necessário para reter ou não um aluno. Afinal, é mais fácil reter do que passar?

Alguém no ministério já pensou seriamente sobre o porquê das retenções no 2.º ano, referidas pela ministra? Esquecem-se que o pré-escolar não é obrigatório, que as famílias são cada vez menos estruturadas, e que por isso e muito mais, no 1.º ano muitos alunos não conseguem desenvolver as competências esperadas, e não podendo ser retidos no 1.º ano, transitam para o 2.º (com programa do 1.º) e só depois se podem reter?! E mesmo assim chegam ao 4.º ano muito pouco capazes de continuar os estudos com sucesso?

E eu que não costumo entrar em debate politico, desta vez não me consigo conter. É mesquinho ver gente de responsabilidade ignorar determinados aspectos básicos e usar os professores como mais uma das causa dos problemas do sistema educativo.
Mais comentários ao debate podem ser vistos aqui e aqui.

Desculpem a repetição do assunto em relação ao post anterior, mas o que foi dito deixa-me algo perplexo…

Editado: Mais efeitos deste assunto aqui

 

Mas que sabem os governantes sobre reter um aluno no 1.º Ciclo?! Setembro 17, 2007

Arquivado em: Escola, TV, professores — Hugo @ 10:49 pm

Estou neste momento a ouvir o “debate” sobre educação na RTP1.
Posso dizer que fiquei a ferver por dentro quando a ministra disse algo parecido com: há demasiadas retenções no 2.º ano de escolaridade e temos de ajustar o que é de esperar das crianças de 7 anos.

Mas ela sabe do que está a falar? Quer que se passem alunos que mal sabem as vogais e poucas consoantes? Que nem soletram as palavras, quanto mais ler uma frase?
Vamos facilitar ainda mais e passar todos, chegando ao 5.º ano sem saber ler e escrever? Afinal para que serve o 1.º Ciclo?

Só para terem uma ideia das burocracias que são necessárias para reter um aluno, em comparação com as que são necessárias ter para passar um aluno vejam aqui.

 

Ainda o “Esclarecimento Necessário”. Setembro 17, 2007

Arquivado em: Banda Larga, Escola, Portáteis, professores — Hugo @ 6:32 pm

No meu último “Esclarecimento necessário” desconhecia dois aspectos:
- no programa e.escolas (para professores) há de facto um período de vinculação à rede de 36 meses (3 anos), mas a mensalidade proposta é apenas a mais baixa possível, já que o cliente pode optar por outro tarifário mais caro, sendo sempre aplicado um desconto de 5 euros.
- apesar do serviço da Internet poder ser mais rápido por opção de pagar mais, há um “senão”, as garantias (do computador e da placa) são de 2 anos, menos um que o período de vinculação. Se avariarem há que continuar a pagar…

Afinal não sei se já me decidi, apesar de tudo são 5 euros por mês a menos.

 

Portáteis na escola?!Para quê? Setembro 7, 2007

Arquivado em: Escola, Portáteis, Práticas pedagógicas, professores — Hugo @ 12:51 pm

Não é fácil aceitar a introdução das TIC, muito menos de “bichos” portáteis na sala de aula, que o professor não controla.
Há muitos dados internacionais (aqui , aqui ou aqui), frutos de estudos exaustivos e que revelam dificuldades mas também muitas mais valias. Se a persistência e a vontade dos professores for soberana, não se pode simplesmente rejeitar o computador para cada aluno…e não se pode olhar só para o lado comercial e politico das iniciativas governamentais.

Entrei numa discussão aqui, e vou querer divulgar sítios com opiniões como esta do Andy.

Muitos professores são teimosos e casmurros (permitam-me os termos), mas outros são excelentes profissionais, mesmo com poucos recursos. Já vi e ouvi o suficiente, já li os relatórios americanos, já olhei desconfiado para tudo isto, mas continuo a julgar que tem de existir muita vontade do professor para não desconfiar dos portáteis na sala de aula, muita vontade para enfrentar as dificuldades que advêm de não controlar cada aluno, muita vontade para aplicar métodos de ensino diferentes dos que se usam para explicar e expor as matérias no quadro negro, com giz na mão…

 

Plano Tecnológico da Educação Julho 23, 2007

Arquivado em: Escola, Práticas pedagógicas, TIC, professores — Hugo @ 4:38 pm

Foi hoje apresentado o Plano Tecnológico da Educação…

Que bom, vamos ter mais computadores, vamos ter mais quadros interactivos… mas será que vamos ter mais professores empenhados e cheios de vontade de integrar as TIC no currículo de uma forma efectiva?!

Vai ser canalizado mais algum dinheiro para o apetrechamento tecnológico das escolas, mas quem é que vai manter essa tecnologia a funcionar devidamente? Há parcerias com as empresas que fornecem os equipamentos para a sua manutenção? Ou vamos continuar com mais do mesmo, em que os professores que até sabem mais “umas coisas” de computadores, tentam resolver os problemas?

E a formação “formal” e exigente para os professores que se recusam e/ou resistem a integrar as TIC na sala de aula?! Também vai haver?

…não perca os próximos episódios porque nós (professores) também não.

 

“A Devida Comédia” Março 25, 2007

Arquivado em: Escola, pais — Hugo @ 10:48 am

E publico mais um artigo que me chegou por mail, desta vez enviado por uma antiga colega de trabalho, a Ana Paiva.
Novamente o assunto principal é a educação que os pais dão aos filhos.

“A Devida Comédia”, por Miguel Carvalho, in Visão

Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola Adidas e ténis Nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.
Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

in Visão

Dá que pensar, mas só alerta as consciências de quem não vê “as criancinhas” todos os dias na Escola.

 

Violência nas Escolas Março 22, 2007

Arquivado em: Escola, pais — Hugo @ 1:26 pm

A minha amiga Marta Pinto enviou-me uma mensagem que, embora não saiba claramente a sua origem, relata com algum rigor a questão da violência nas escolas, associando-a à família. Gostei bastante do que li, vai de encontro às minhas próprias ideias e por isso decidi publicar a mensagem integralmente aqui.

“Especialistas reunidos em Espanha

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os
professores.
Os participantes no encontro “Família e Escola: um espaço de convivência”, dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

“As crianças não encontram em casa a figura de autoridade”, que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

“As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa”, sublinhou.

Para Savater, os pais continuam “a não querer assumir qualquer autoridade”, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos “seja alegre” e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, “são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os”, acusa.

“O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar”, sublinha.

Há professores que são “vítimas nas mãos dos alunos”.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que “ao pagar uma escola” deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão “psicologicamente esgotados” e que se transformam “em autênticas vítimas nas mãos dos alunos”.

A liberdade, afirma, “exige uma componente de disciplina” que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

“A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara”, afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, “uma oportunidade e um privilégio”.

“Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina”, frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que “têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos”.

“Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia”, afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que “mais vale dar uma palmada, no momento certo” do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.”

Quantos de nós, professores, já nos vimos diante da “indisciplina” e nada, absolutamente nada, pudemos fazer?! Os pais não podem deixar de ser pais…

 

Idade dos professores Março 3, 2007

Arquivado em: Escola, TIC, professores — Hugo @ 12:37 pm

Será que existe alguma relação entre o uso das tecnologias de informação e comunicação e a idade dos docentes do 2.º Ciclo?

Durante as pesquisas sobre casos de aplicação das TIC, e tendo em conta a minha experiência de ensino, tenho questionado se poderemos estabelecer relação entre a idade do corpo docente e as boas práticas educativas com as tecnologias.

Se é verdade que conheço pessoas, algumas mesmo à beira da reforma, que se mantêm dedicadas e empenhadas nas suas tarefas apesar do desgaste da profissão, outras há que não se esforçam por aprender e aplicar novas metodologias e ferramentas nas suas práticas pedagógicas.

No caso concreto deste trabalho no 2.º Ciclo, e apenas tendo por base o contacto que tenho tido com outros(as) colegas, reparo que os docentes pertencentes aos quadros são, geralmente, pessoas com mais de 40 anos de idade. E são muitas vezes estes docentes que têm o poder de alterar o estado de marasmo em que estão alguns grupos disciplinares, por diversas razões que vão da própria “posição” na comunidade escolar até à experiência educativa.

Para tentar confirmar alguns dados desta minha ideia, procurei estudos estatísticos recentes sobre este assunto, mas reparo que não existem.

Será que alguém conhece algum?

Este post também pode ser lido em Os Cinco

 

TIC na Escola Portuguesa Março 2, 2007

Arquivado em: Escola, TIC, professores — Hugo @ 12:10 pm

Em Portugal a aplicação das TIC ao ensino básico tem dependido, sobretudo, da boa vontade dos professores que se predispõem a inovar, a frequentar acções de formação, a dedicarem-se à exploração de determinadas ferramentas… Tal como refere Barros (2006) “o Ministério da Educação, tem feito nos últimos tempos um esforço considerável (…) para a aquisição de material informático e software educativo, incentivando assim, o uso intensivo das tecnologias interactivas em todos os estabelecimentos de ensino, forçando dessa forma as condições, para que os professores possam adaptar os seus modelos de ensino, potenciando novas aprendizagens”. Porém, a cultura de adesão a novos métodos e ferramentas pedagógicas não é característica geral dos professores, pelo que os sucessivos projectos que foram sendo criados e implementados (Minerva e Nónio) nem sempre resultaram em inovações dos métodos de ensino.
Em 2002, Jacinta Paiva apurou no estudo realizado sobre a utilização das TIC pelos professores que “a grande maioria dos docentes usa o computador para preparar as aulas, com 81 por cento dos inquiridos a afirmá-lo, sendo que 94 por cento destes prepara fichas e testes, 54 por cento realiza pesquisas na Internet sobre a sua disciplina e 20 por cento prepara apresentações”. Se a maioria das escolas tem meios ao seu dispor, porque é que continuam a existir resistências em os usar? É errado “assumir que a escola, na sua globalidade, pode mudar com a junção de um elemento novo (…) ou seja, que sem mudar profundamente o quadro institucional e organizacional da escola, sem o envolvimento dos professores, sem uma mudança de atitudes destes mais do que uma mudança de materiais pedagógicos: – pouca poderá, de fado, mudar.”(Afonso, 1993)
Procuram-se soluções milagrosas para mudar as mentalidades e a cultura de muitos professores, que apesar do mérito no seu desempenho, resistem em promover uma auto-actualização pedagógica e técnica.

 

Apoio educativo. Fevereiro 5, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 6:59 pm

Com o início do presente ano lectivo fui “levado” a desempenhar funções de docente de apoio educativo. Não era minha ambição, mas face às necessidades do agrupamento onde trabalho, à forma como o Ministério da Educação colocou os professores, e dados os constantes atropelos à lei, lá fui eu… como se tivesse hipótese de escolha.

Mas nem tudo é negativo. Descobri outra realidade e decidi enfrentar esta nova etapa como mais um desafio na minha (muito) curta carreira.

Pena que a sociedade em que vivemos está a formar mais pais irresponsáveis, se já é muito grave um encarregado de educação não se interessar pela atitude e empenho do filho na escola, quando não apresenta problemas de aprendizagem acentuados, imaginem quando o filho em causa demonstra grandes dificuldades em aprender, em distinguir o bom e o mau, em se interessar pelo que está a ser falado pelo professor…

Não tenho especialização nesta área de ensino, embora trabalhe com alunos que mereciam o acompanhamento de um docente com formação a este nível. Faço o que posso, faço o que me pedem, atendo aos lamentos das colegas titulares de turma, ajudo os alunos, mas não consigo formar pais que se interessem mais pelos seus filhos, que lutem pela escola para todos, com acompanhamento especial para aqueles que o merecem.

Estou triste, revoltado, angustiado, preocupado,… com a rumo que o país está a tomar na educação. Será assim tão difícil deixar de governar lá no alto e descer ao mundo real? Será tão difícil ser pai e mãe acompanhando de forma responsável o percurso de um filho?

 

Professores e pais… Janeiro 24, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 5:27 pm

O país precisa de professores unidos, agora mais do que nunca.
Precisa de bons professores unidos a favor de uma escola pública de qualidade. A nossa classe sofre de uma grave doença que a impossibilita de mostrar aos nossos governantes o caminho, não através de contínuos protestos que já vimos não adiantarem nada, mas de trabalho efectivo e no terreno.

Precisamos de Conselhos Executivos capazes de mostrarem às direcções regionais o porquê de determinadas medidas não serem executáveis. Digam-me o que acontece se um Conselho Executivo demonstrar por A+B que determinada medida não é aplicável no seu espaço de actuação? Se este Conselho Executivo tiver suporte de toda a escola, da associação de pais, que acontece? Os professores afinal têm algum poder, mas devem saber aproveitá-lo…

Precisamos de pais responsáveis que vão à escola receber as avaliações dos alunos e não questionarem só o professor e o seu trabalho, mas perguntarem o que devem fazer para tornarem os seus filhos melhores alunos. Muitos dos problemas da escola começam em casa. Quantas vezes os alunos chegam atrasados, não cumprem determinada tarefa, faltam as aulas, apenas porque o acompanhamento dos pais é deficiente ou inexistente?

Está na hora de repensar a escola, está na hora de sermos professores e mostrarmos as nossas dificuldades em uníssono, no terreno. Está na hora de chamar os pais para o nosso lado da “barricada”…

 

A Escola… Janeiro 14, 2007

Arquivado em: Escola — Hugo @ 12:44 am

Quem me conhece sabe que não sou critico apenas porque sim ou porque não. A generalidade das minhas opiniões procuram fundamentação e nesta perspectiva irei escrever bastante sobre a Escola.

Escolho começar uma abordagem a este tema tendo como base as políticas actuais da educação portuguesa.
Desde logo se impõe falar do novo ECD (Estatuto da Carreira Docente), que terá implicações directas na vida de alunos, professores e encarregados de educação. Enganam-se aqueles que, longe da realidade das escolas, aplaudem efusivamente as medidas que o governo “negociou” julgando que só trará mais valias, seja para o sistema de ensino, seja para o orçamento de estado.
Estou, declaradamente, contra algumas das alterações do ministério da educação, mas também me coloco ao lado de quem planeou esta “revolução” esperada e também desejada. A avaliação dos professores impõe-se como urgente medida para melhorar o desempenho daqueles que se dizem professores, mas que apenas ocupam o seu lugar na escola pública de um modo tão definitivo como relaxado…
É urgente avaliar quem tem de ser avaliado e melhorar a qualidade do trabalho dos professores, mas será que o novo estatuto vai resolver esta questão? Os teóricos da educação, encerrados em gabinetes, ou que investigam a educação e as didácticas longe da realidade, julgarão que o modelo de avaliação proposto pelo ministério trará muitos benefícios. Mas, e a vida de quem convive todos os dias com alunos, colegas professores, funcionários, encarregados de educação? A vida e opinião do professor com experiência comprovada? Estas vidas de bastantes profissionais dedicados, que ouvem e resolvem problemas, que contornam dificuldades e limitações, para que os seus alunos adquiram competências? Estas vidas não contam? Os professores, aqueles que vivem a escola pública, aqueles que fazem a escola pública, têm de ser ouvidos para que as melhores estratégias de avaliação sejam aplicadas, sem prejuízo nem beneficio de “fulano tal”, mas tendo o único propósito de melhorar o desempenho de quem realmente trabalha, e consequentemente, o desempenho dos nossos alunos.

Seguramente continuarei em reflexão sobre este assunto. Mas estou desde já a aguardar contributos para elevar esta discussão.