Há dias assim…

…em que algo novo aqui nasce!

E porque será?! Novembro 29, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 6:40 pm

“Segundo o relatório anual “Educação para todos” da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), um em cada dez alunos portugueses (10,2%) a frequentar a antiga primária e o 2.º ciclo chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.

Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4%, respectivamente, enquanto em países como Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento.”

in Expresso, edição online

E porque será que isto acontece? Bem, uma coisa é certa, por falta de um certo facilitismo imposto não deve ser…
Já estou a imaginar estes números a “caírem” em cima dos professores, sem que ninguém pense na organização social do nosso querido Portugal, em especial nas carências sociais e organizacionais de muitas famílias.

 

Nova entrevista da senhora Ministra Novembro 2, 2007

Arquivado em: Escola, TV, pais, professores — Hugo @ 12:25 am
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Em resposta à pergunta do Paulo Guinote: “Terei perdido alguma coisa de relevante?”

Não, a entrevista nem média foi… Muito em torno do estatuto do aluno, faltou falar do papel das famílias de uma forma mais meticulosa e realmente importante…
Mais uma vez foi referido que quem representa os professores são os Conselhos Executivos (CE), os sindicatos não. Bem, e eu pergunto, será que os executivos têm essa capacidade de representação e negociação perante as propostas do ME? Será que muitos ficarão calados? Ou será que nem sequer podem falar? E os que falam, será que são ouvidos? Ou melhor, será que alguém os quer ouvir?

Receio que a ligação entre ME e os CE das escolas não seja assim tão maravilhosamente aproveitada como pareceu transparecer da entrevista.

E a responsabilidade das famílias? Como será? Quantas vezes, mesmo nos alunos mais novos, se assiste a uma total desresponsabilização que começa pela atitude dos pais, que se necessário for vão à escola pedir “satisfações” ao professor sem que este tenha algum apoio por parte dos CE, esses órgãos de gestão que deveriam também proteger e ajudar a criar condições aos professores para o desempenho de um trabalho mais profícuo? Não defendo que haja uma protecção dos irresponsáveis (que os há em todas as profissões). Defendo uma solidariedade que pouco existe dentro da classe e que com as novas formas de avaliação, tenderá a diminuir drasticamente sempre que os resultados da avaliação não sejam satisfatórios.

A minha utopia
As famílias ao lado dos profissionais da educação, os executivos ao lado dos seus professores, o ministério a falar muito mais com as escolas e com quem está no terreno, num diálogo aberto, verdadeiro e construtivo.

 

Cimeira UE – Rússia Outubro 26, 2007

Assisti há pouco, bem de longe, à chegada do presidente russo a Mafra para a cimeira entre a UE e a Rússia.

Sem outros juízos de valor, e enquanto via o aparato montado, só me ocorria um conjunto de pensamentos: o cidadão estrangeiro que veja (ou tenha visto) ou participado nos últimos tempos nas iniciativas da presidência portuguesa deverá pensar que somos um país sem problemas sociais, com alguma riqueza (sobretudo entre a classe política), com polícias de alto nível e com muito bons carros (a julgar pelos “atiradores” no cimo do palácio nacional; pelos carros da brigada de trânsito que vi; pelos helicópteros…), entre muitos outros aspectos…

É caso para dizer: que “porreiro, pá!”

Parece ridículo, mas apesar de os nossos políticos estarem ao mais alto nível internacional (à custa de quem? Dos contribuintes, claro), eu ando a pedinchar pelo pagamento das deslocações de escola em escola com o meu carro e nas funções que me foram atribuídas desde o ano lectivo anterior…

“Há coisas fantásticas, não há?!”

 

“A Devida Comédia” Março 25, 2007

Arquivado em: Escola, pais — Hugo @ 10:48 am

E publico mais um artigo que me chegou por mail, desta vez enviado por uma antiga colega de trabalho, a Ana Paiva.
Novamente o assunto principal é a educação que os pais dão aos filhos.

“A Devida Comédia”, por Miguel Carvalho, in Visão

Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola Adidas e ténis Nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles.
Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

in Visão

Dá que pensar, mas só alerta as consciências de quem não vê “as criancinhas” todos os dias na Escola.

 

Violência nas Escolas Março 22, 2007

Arquivado em: Escola, pais — Hugo @ 1:26 pm

A minha amiga Marta Pinto enviou-me uma mensagem que, embora não saiba claramente a sua origem, relata com algum rigor a questão da violência nas escolas, associando-a à família. Gostei bastante do que li, vai de encontro às minhas próprias ideias e por isso decidi publicar a mensagem integralmente aqui.

“Especialistas reunidos em Espanha

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os
professores.
Os participantes no encontro “Família e Escola: um espaço de convivência”, dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

“As crianças não encontram em casa a figura de autoridade”, que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

“As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa”, sublinhou.

Para Savater, os pais continuam “a não querer assumir qualquer autoridade”, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos “seja alegre” e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, “são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os”, acusa.

“O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar”, sublinha.

Há professores que são “vítimas nas mãos dos alunos”.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que “ao pagar uma escola” deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão “psicologicamente esgotados” e que se transformam “em autênticas vítimas nas mãos dos alunos”.

A liberdade, afirma, “exige uma componente de disciplina” que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

“A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara”, afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, “uma oportunidade e um privilégio”.

“Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina”, frisa Fernando Savater.

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que “têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos”.

“Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia”, afirmou.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que “mais vale dar uma palmada, no momento certo” do que permitir as situações que depois se criam.

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.”

Quantos de nós, professores, já nos vimos diante da “indisciplina” e nada, absolutamente nada, pudemos fazer?! Os pais não podem deixar de ser pais…

 

Apoio educativo. Fevereiro 5, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 6:59 pm

Com o início do presente ano lectivo fui “levado” a desempenhar funções de docente de apoio educativo. Não era minha ambição, mas face às necessidades do agrupamento onde trabalho, à forma como o Ministério da Educação colocou os professores, e dados os constantes atropelos à lei, lá fui eu… como se tivesse hipótese de escolha.

Mas nem tudo é negativo. Descobri outra realidade e decidi enfrentar esta nova etapa como mais um desafio na minha (muito) curta carreira.

Pena que a sociedade em que vivemos está a formar mais pais irresponsáveis, se já é muito grave um encarregado de educação não se interessar pela atitude e empenho do filho na escola, quando não apresenta problemas de aprendizagem acentuados, imaginem quando o filho em causa demonstra grandes dificuldades em aprender, em distinguir o bom e o mau, em se interessar pelo que está a ser falado pelo professor…

Não tenho especialização nesta área de ensino, embora trabalhe com alunos que mereciam o acompanhamento de um docente com formação a este nível. Faço o que posso, faço o que me pedem, atendo aos lamentos das colegas titulares de turma, ajudo os alunos, mas não consigo formar pais que se interessem mais pelos seus filhos, que lutem pela escola para todos, com acompanhamento especial para aqueles que o merecem.

Estou triste, revoltado, angustiado, preocupado,… com a rumo que o país está a tomar na educação. Será assim tão difícil deixar de governar lá no alto e descer ao mundo real? Será tão difícil ser pai e mãe acompanhando de forma responsável o percurso de um filho?

 

Professores e pais… Janeiro 24, 2007

Arquivado em: Escola, pais, professores — Hugo @ 5:27 pm

O país precisa de professores unidos, agora mais do que nunca.
Precisa de bons professores unidos a favor de uma escola pública de qualidade. A nossa classe sofre de uma grave doença que a impossibilita de mostrar aos nossos governantes o caminho, não através de contínuos protestos que já vimos não adiantarem nada, mas de trabalho efectivo e no terreno.

Precisamos de Conselhos Executivos capazes de mostrarem às direcções regionais o porquê de determinadas medidas não serem executáveis. Digam-me o que acontece se um Conselho Executivo demonstrar por A+B que determinada medida não é aplicável no seu espaço de actuação? Se este Conselho Executivo tiver suporte de toda a escola, da associação de pais, que acontece? Os professores afinal têm algum poder, mas devem saber aproveitá-lo…

Precisamos de pais responsáveis que vão à escola receber as avaliações dos alunos e não questionarem só o professor e o seu trabalho, mas perguntarem o que devem fazer para tornarem os seus filhos melhores alunos. Muitos dos problemas da escola começam em casa. Quantas vezes os alunos chegam atrasados, não cumprem determinada tarefa, faltam as aulas, apenas porque o acompanhamento dos pais é deficiente ou inexistente?

Está na hora de repensar a escola, está na hora de sermos professores e mostrarmos as nossas dificuldades em uníssono, no terreno. Está na hora de chamar os pais para o nosso lado da “barricada”…