Há dias assim…

…em que algo novo aqui nasce!

Professor de apoio educativo no 1.º ciclo Outubro 19, 2007

Segundo a nova legislação (quase a sair) sobre educação especial, acaba-se a figura do professor de apoio educativo, o que conduzirá à extinção de lugares e funções como as que ocupo actualmente.

Sem apoio educativo no 1.º ciclo, o que irá acontecer?
Bem, para o cidadão comum é menos um professor a ganhar dinheiro à custa dos impostos. Para uma grande parte dos professores titulares de turma (professores do 1.º ciclo) será o “caos” na sala de aula e o “passar” alunos sem competências mínimas (porque retê-los também poderá representar um prejuízo na progressão na carreira).

Imaginem (se conseguírem) a seguinte situação:
- um(a) único(a) professor(a) responsável;
- uma sala com 20 ou mais alunos;
- alunos com ritmos de aprendizagem distintos e matriculados em vários anos, alguns com necessidades educativas especiais;
- turmas constituídas por alunos cujas capacidades são tão distintas que uns lêem fluentemente e outros mal conseguem juntar uma consoante com uma vogal;
- alunos bastante dependentes do adulto para efectuar qualquer tarefa;
- alunos com atitudes que por vezes influenciam o bom ambiente de trabalho na sala de aula;
- pais exigentes com as aprendizagens dos seus filhos (naturalmente), mas que colocam constantemente o trabalho do professor(a) em causa, não entendendo que este(a) está só…

A atitude do professor
O professor preocupado e profissional fará de tudo para conseguir que os seus alunos aprendam nestas circunstâncias, tendo duas alternativas: ou dá em maluco(a) pela tal depressão em que entrará, ou “passa” todos os alunos e cria uma auto-imunidade à situação criada…

E onde entra o professor de apoio educativo?
Ajuda o professor(a) titular de turma na gestão das situações de aprendizagem, da dinâmica da aula, etc… Mesmo estando presente durante algum tempo (10horas semanais já seria bastante aceitável) um professor de apoio educativo possibilitaria outro nível de actividades, outro nível de aprendizagens e ajuda aos alunos com ritmos mais específicos.

O que irá acontecer se a nova legislação concordar com isto?
Estes professores tendem a deixar de existir nas nossas escolas…

Agora pensem um pouco nas consequências sobre a educação…é que não é o desgraçado do professor ou professora que poderá ser mais prejudicado, é o país… Mas há gente que não entende isto.

 

Portáteis na escola?!Para quê? Setembro 7, 2007

Arquivado em: Escola, Portáteis, Práticas pedagógicas, professores — Hugo @ 12:51 pm

Não é fácil aceitar a introdução das TIC, muito menos de “bichos” portáteis na sala de aula, que o professor não controla.
Há muitos dados internacionais (aqui , aqui ou aqui), frutos de estudos exaustivos e que revelam dificuldades mas também muitas mais valias. Se a persistência e a vontade dos professores for soberana, não se pode simplesmente rejeitar o computador para cada aluno…e não se pode olhar só para o lado comercial e politico das iniciativas governamentais.

Entrei numa discussão aqui, e vou querer divulgar sítios com opiniões como esta do Andy.

Muitos professores são teimosos e casmurros (permitam-me os termos), mas outros são excelentes profissionais, mesmo com poucos recursos. Já vi e ouvi o suficiente, já li os relatórios americanos, já olhei desconfiado para tudo isto, mas continuo a julgar que tem de existir muita vontade do professor para não desconfiar dos portáteis na sala de aula, muita vontade para enfrentar as dificuldades que advêm de não controlar cada aluno, muita vontade para aplicar métodos de ensino diferentes dos que se usam para explicar e expor as matérias no quadro negro, com giz na mão…

 

Plano Tecnológico da Educação Julho 23, 2007

Arquivado em: Escola, Práticas pedagógicas, TIC, professores — Hugo @ 4:38 pm

Foi hoje apresentado o Plano Tecnológico da Educação…

Que bom, vamos ter mais computadores, vamos ter mais quadros interactivos… mas será que vamos ter mais professores empenhados e cheios de vontade de integrar as TIC no currículo de uma forma efectiva?!

Vai ser canalizado mais algum dinheiro para o apetrechamento tecnológico das escolas, mas quem é que vai manter essa tecnologia a funcionar devidamente? Há parcerias com as empresas que fornecem os equipamentos para a sua manutenção? Ou vamos continuar com mais do mesmo, em que os professores que até sabem mais “umas coisas” de computadores, tentam resolver os problemas?

E a formação “formal” e exigente para os professores que se recusam e/ou resistem a integrar as TIC na sala de aula?! Também vai haver?

…não perca os próximos episódios porque nós (professores) também não.

 

Os portáteis – tema da dissertação… Maio 9, 2007

Arquivado em: Portáteis, Práticas pedagógicas, TIC — Hugo @ 5:47 pm

Encontro-me neste momento a ponderar fazer um estudo de impacte dos computadores portáteis na atitude pedagógica dos professores do agrupamento de escolas onde trabalho. Ainda estou “a olhar” para os quadros interactivos que vou deixar para trás….
De qualquer forma, o que interessa neste momento será a definição da metodologia a usar durante a investigação, já que o tema está praticamente decidido.

Mas para já levanto uma questão: porque é que o Ministério da Educação gastou bastante dinheiro com a distribuição de computadores portáteis? Terá havido um estudo prévio devidamente fundamentado tendo em conta a implementação do programa? Se existiu, onde é que está disponível?
E aos meus poucos leitores que também são professores, que vos diz o facto de poderem dispor de computadores portáteis nas escolas para o trabalho com os alunos? Que aplicações acham que é possível dar a este equipamento no contexto da Escola portuguesa?

Acho que vou reflectir amplamente sobre este assunto nos próximos tempos.

 

Quando começar a usar as TIC? Março 4, 2007

Arquivado em: Práticas pedagógicas, TIC — Hugo @ 1:57 pm

Muito se fala e publica sobre os a utilização da TIC no ensino.
Há projectos e declaração de intenções, há material interessante que possibilita aos alunos jogarem e relembrarem conhecimentos abordados na sala de aula.
Mas, e os já falados relatos de sucesso?
Durante as pesquisas para a construção do CD-PDIM (Cognição Distribuída – Projecto de Desenvolvimento da Interacção Multimédia) a principal conclusão que surge visível está relacionada com o que inicialmente foi dito na sessão presencial e já referido em Mundomac – não há cultura de utilização das TIC com o objectivo de explorar as potencialidades colaborativas e de construção de inteligência social.

Há bastante material publicado, aparentemente há muita coisa feita, mas resulta de quê? Este é o problema, ninguém fala da forma como chegou a determinado produto final, se houve ou não trabalho colaborativo.Será que as pessoas têm receio de partilhar as suas ideias e metodologias de sucesso?
É a cultura da colaboração e inteligência social que tem de começar a ser instituída desde cedo.